O casal levava a pequena Alice de 29 dias para conhecer a família

Está chegando 12 de outubro, Dia de Nossa Senhora da Aparecida e das crianças. Muitos brasileiros vão pegar a estrada para curtirem o feriado.

Nesta mesma data, no ano passado, uma família saiu de carro de Resende, no Rio de Janeiro, em direção a Quatis, pequena cidade a 20 quilômetros de distância. O trajeto é feito pela Rodovia Presidente Dutra. O trecho é conhecido como “Retão de Resende”, pista dupla nos dois sentidos e pavimento em ótimas condições.

No veículo estavam Simone, o esposo Felipe, sua mãe e o padrastro. A bordo, estava um tesouro: a pequena Alice, com apenas 29 dias de vida. Orgulhosos da filha, o casal levava a bebê para conhecer o avô.

Eram 13h40 daquele sábado, com um lindo dia de sol, quando de repente um caminhoneiro, que estava no sentido contrário, derrubou a proteção que separa as pistas, invadiu a contramão e colidiu violentamente com o carro onde estavam a pequena Alice e os demais ocupantes. Todos morreram, inclusive o caminhoneiro. Seis mortos no local.

Imagens da tragédia em que morreu Alice, seus familiares e o caminhoneiro. Não podemos esquecer essa história!

Conheço bem o trecho. Chocado, busquei notícias. Ciente da dura realidade dos caminhoneiros, pensei que ele tivesse cochilado ao volante, mas também suspeitei de algo mais grave. Sugeri à perícia que coletasse cabelo do motorista para – por meio do exame toxicológico de larga janela -, checar a um possível uso regular de drogas.

O laudo revelou grande quantidade de cocaína no organismo do caminhoneiro. Um dependente químico transportando dezenas de toneladas nas rodovias do país, colocando a sua vida e a de outros em risco todos os dias.

Não foi acidente. Vários fatores contribuíram para essa tragédia; inclusive, a exploração dos profissionais da estrada. Mas a perícia somente constatou a presença da cocaína, graças à nossa sugestão. Entretanto, quando a pessoa que causa o acidente, morre – como foi o caso – há o arquivamneto do processo. Portanto, nunca saberemos o que de fato aconteceu.

O dia 12 de outubro continuará sendo uma data especial para as crianças curtirem e os católicos celebrarem, mas também para lembrarmos da Alice e de sua família. É nosso dever aprender com essas tragédias.

Por isso, o SOS Estradas lançou para este feriado de 12 de outubro uma campanha permanente para relembrar as vítimas que morreram nas estradas, justamente em datas festivas, como Dia das Crianças, Páscoa, Natal, Ano Novo.

Esperamos contribuir para que as autoridades, a mídia e a sociedade também não esqueçam essas pessoas. Elas podem salvar as nossas vidas. Afinal, por trás das estatísticas, existem histórias de vida, algumas que sequer completaram 1 mês, como o da pequena Alice. Quando for pegar a estrada, dirija com cuidado, pois nem sempre a ida tem volta.

Rodolfo Rizzotto – Coordenador do SOS Estradas

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