A colisão de uma carreta com um ônibus em rodovia paulista deixou 41 mortos até o momento em que escrevemos este comentário. Mais outra dezena de vítimas foram internadas nos hospitais em estado grave. A tragédia chocou o país.

A empresa de ônibus estava toda irregular, autuada várias vezes pelo poder concedente. O motorista da carreta não tinha habilitação para dirigir veículo pesado, no caso um bitrem com capacidade para dezenas de toneladas.

O caminhão tinha várias multas, tanto nas rodovias federais como estaduais do Paraná, inclusive evasão de pedágio, passar por sinal vermelho com uma carreta sem parar, excesso de peso, um festival de infrações graves.

Como se não bastasse, ambos os veículos estavam inadimplentes com o DPVAT. No caso do caminhão o dono, que era o próprio motorista não habilitado, não pagou R$ 5,78 do DPVAT. Já a Star Turismo, responsável pelo transporte de praticamente todas as vítimas, não pagou R$ 10,51. São valores correspondentes ao custo anual do DPVAT. Literalmente centavos por mês.

Justamente o seguro que serve para pagar indenização para as vítimas mais humildes, como era o caso nesta tragédia, que ocorreu um dia depois que as grandes seguradoras, com apoio da Susep, decidiram acabar com o DPVAT.

A SUSEP , responsável pela regulação do setor, defende que os veículos tenham seguro de responsabilidade civil. Vejamos o caso específico desse acidente.

Alguém acredita que empresas que não pagaram R$ 5,78 (carreta) e R$ 10,51 (ônibus) por 1 ano de DPVAT vão pagar seguros de responsabilidade civil que custam milhares de reais?

Caso o DPVAT já estivesse extinto, como queria a SUSEP, as vítimas desse acidente e os familiares dos mortos, não receberiam nada no curto prazo e provavelmente também no longo prazo.

Confirmado o fim do DPVAT, as próximas vítimas ficarão totalmente desprotegidas para atender o interesse econômico, em detrimento de quem mais precisa algum recurso imediato nesta hora dramática.

Por fim, todos os fatos revelados nesta tragédia confirmam mais uma vez que no Brasil não existe uma política de preservação da vida no trânsito. As vítimas vão ficar ainda mais abandonadas e seus familiares totalmente sem chão e recursos. Só piora !

É triste viver num país em que as vidas no trânsito não importam.

Rodolfo Rizzotto – Coordenador do SOS Estradas

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