Em extremos, quem sai do Sul Fluminense pode gastar R$ 30,40 para ir ao Rio e R$ 29,30 para ir a São Paulo

Quem tem de usar a Rodovia Presidente Dutra (BR-116) em sua extensão total (433 quilômetros) vai desembolsar R$ 59,70 somente em pedágios. Um total de R$ 1,00 a cada 7 quilômetros, considerando a distância entre as duas cidades pela estrada. Para motoristas do Sul Fluminense – considerando os extremos da região – o custo de uma ida ao Rio pode ficar em R$ 30,40 enquanto para São Paulo chega a R$ 29,30.

Se sair de Engenheiro Passos, distrito de Resende, em direção ao Rio de Janeiro, o motorista passa pela Praça de Itatiaia, no KM 318, e paga R$ 15,20. Mais adiante, entre Piraí e Seropédica, tem de passar pelo Pedágio na Praça Viúva Graça, desembolsando valor igual e chegando ao gasto de R$ 30,40. Quase R$ 1 por 6 por quilômetros percorridos. Na mão inversa, quem sai de Piraí e vai para São Paulo passa por cinco praças de pedágio, mas gasta menos: R$ 29,30. Percorre, além disso, quilometragem bem maior: 337 quilômetros.

No total, a Via Dutra tem seis praças de pedágio. Além de Itatiaia e Viúva Graça, que ficam no trecho Fluminense, há ainda praças em Arujá, Guararema, Jacareí e Moreira César no trecho paulista. Os preços cobrados pela Nova Dutra, concessionária que administra a estrada, foram reajustados no último dia 3.

Segundo a concessionária, a revisão das tarifas foi feita com base, principalmente, na variação do IPCA e com a inclusão de novos investimentos, na ordem de R$ 58 milhões, em obras de segurança na rodovia, com a implantação de defensas metálicas e barreiras, que irão prover melhores condições de segurança para os usuários em toda a extensão da via Dutra.

Efeito comparativo

Considerando um valor de R$ 4,80 para o litro da gasolina, e um carro que faça 10 km/l na estrada, os cerca de 400 quilômetros da Rodovia Presidente Dutra vão representar um gasto de R$ 192 de gasolina. Os R$ 59,70 do pedágio representam mais de 31% do gasto com gasolina.

Já a passagem de ônibus mais barata entre as duas cidades custa algo perto de R$ 100. Assim, para que valha a pena, em termos de custo, viajar de carro por toda a extensão da Dutra, em vez de fazer o caminho de ônibus, é preciso estar levando pelo menos dois passageiros, além do motorista.

Concessão deve acabar sem a principal obra iniciada

Em seu site, o Grupo CCR destaca todas as obras e serviços que foram feitos desde 1996, quando efetivamente assumiu o contrato de concessão através da NovaDutra. Na lista constam, entre outras coisas, milhões de metros quadrados em pavimentação, 48 novas passarelas, 23 trevos e acessos e 37 novas pontes e viadutos. Não está lá, no entanto, a obra mais esperada desde a concessão: a duplicação do trecho da Serra das Araras.

De acordo com estudo da Firjan, a obra é estimada em R$ 1,7 bilhão e deveria gerar mais de cinco mil empregos na economia regional. O gargalo na serra é apontado pela federação das indústrias como um dos principais entraves para o desenvolvimento econômico do estado, estruturalmente falando. Em evento recente, a CCR chegou a afirmar que o projeto já havia sido enviado governo federal, via Ministério dos Transportes. O novo traçado teria 7,7km de extensão, 17 viadutos, túnel e retorno no início e fim do novo trecho.

No entanto, no ano passado a concessionária descartou iniciar as obras, como forma de pressionar ou barganhar uma possível prolongação do contrato, que termina em 2021. Até o momento, no entanto, o governo demonstrou firmeza ao manter a nova licitação. Enquanto isso, os motoristas que seguem rumo ao Rio de Janeiro seguem trafegando por um bom trecho sem acostamento, com velocidade máxima de 40km/h. Um acidente, mesmo que sem gravidade, é capaz de adiar agendas de negócios, interromper entregas, atrasar viagens.

Ainda mais pelo fato do Brasil ser ainda tão dependente do transporte rodoviário, como ficou mais que comprovado com a greve dos caminhoneiros.

Fonte: www.diariodovale.com.br

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