PALCTOX amplia controle de qualidade em toxicologia laboratorial no Brasil
O aumento expressivo da demanda por exames toxicológicos no Brasil — impulsionado por mudanças recentes na legislação — trouxe à tona um debate central para o setor: a necessidade de rigor técnico e rastreabilidade nos processos laboratoriais. Nesse contexto, ganha destaque o PALCTOX, programa voltado especificamente ao controle de qualidade em toxicologia laboratorial, lançado em novembro de 2025.
Criado pela Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML), o PALCTOX é uma vertente especializada do Programa de Acreditação de Laboratórios Clínicos (PALC). A iniciativa reúne mais de 150 itens de verificação, voltados para etapas críticas do processo que vão além das avaliações tradicionais do PALC, incluindo cadeia de custódia das amostras, protocolos analíticos específicos para drogas de abuso e critérios rigorosos para emissão de resultados.
“Esses pontos sensíveis são esmiuçados de forma bastante profunda, visando o melhor controle desse tipo de exame”, explica o médico toxicologista, patologista clínico e diretor técnico da Toxicologia Pardini, Álvaro Pulchinelli.
Criado em 1998 e mantido pela SBPC/ML, o PALC realiza auditorias voluntárias em laboratórios de todo o país por meio de avaliação entre pares. “É um programa voluntário, em que profissionais de laboratório auditam profissionais de laboratório”, destaca Pulchinelli.
No caso da toxicologia, porém, os processos exigem controles adicionais, tanto na aplicação clínica — voltada à identificação e ao acompanhamento de casos de dependência química — quanto em aplicações de natureza forense e administrativa, como os exames exigidos para obtenção e renovação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Certificação reforça compromisso científico
A Toxicologia Pardini, unidade especializada do Grupo Fleury, está entre as primeiras instituições do país a obter a certificação PALCTOX. A conquista reforça o compromisso da empresa com a adoção de padrões avançados de qualidade e segurança na realização de exames toxicológicos.
A certificação soma-se a outras acreditações relevantes do setor, como o selo FDT (Forensic Drug Testing) do College of American Pathologists (CAP) e a norma ISO/IEC 17025, reconhecida internacionalmente para laboratórios de ensaio e calibração e acreditada pelo Inmetro.
De acordo com Pulchinelli, o conjunto dessas certificações cria uma rede de segurança que protege todas as etapas do processo. “O exame toxicológico envolve impacto direto na vida civil e profissional das pessoas. Por isso, o rigor técnico e a rastreabilidade precisam ser absolutos”, afirma.
Demanda cresce com novas exigências legais
A relevância do PALCTOX acompanha a expansão do mercado de testes toxicológicos no país. Inicialmente exigido apenas para motoristas profissionais das categorias C, D e E, o exame passou a ser requerido também para candidatos à primeira habilitação nas categorias A e B, ampliando significativamente o público submetido ao teste.
Essa mudança elevou o volume de exames realizados e reforçou a necessidade de sistemas de controle de qualidade mais robustos.
“É um tema que vem crescendo em volume e complexidade. O programa PALC não poderia deixar essa questão de fora”, conclui Pulchinelli.












