
Oito pórticos free flow estão instalados nas rodovias BR-060 e BR-452, sendo cinco deles na BR-060
Desde à 0h desta quinta-feira (29), quem cruza um dos oito pórticos do sistema free flow nas rodovias BR-060 e BR-452, em Goiás, paga mais caro pelas tarifas de pedágio. O reajuste foi autorizado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), por meio da Decisão SUROD 1.479/26.
De acordo com a Agência, o reajuste corresponde à variação do IPCA entre o início da cobrança, em maio de 2026, e outubro de 2026: 1,16%. Como as tarifas são arredondadas para múltiplos de R$0,10, os carros pagarão R$0,10 a mais em todos os pórticos, um aumento entre 0,8% e 2,6%, conforme o ponto de cobrança.
Conforme é possível verificar no documento publicado, nessa quarta-feira (28), no Diário Oficial da União (DOU), a decisão dos aumentos foi definida em 28 de setembro. Já previa, ao menos é o que podemos concluir do que foi publicado no Diário Oficial, que entraria em vigor no dia 29 de outubro.
Apesar disso, a ANTT e o governo federal, esperavam dois meses para divulgar. Com isso, os usuários são surpreendidos literalmente em viagem com o aumento. O impacto é especialmente importante para caminhoneiros autônomos e transportadoras, além de embarcadores, porque o valor por eixo impacta no custo do frete.
O Estradas vem alertando sobre esse comportamento frequente da ANTT e outros órgãos responsáveis por concessão há mais de 20 anos. A forma como são anunciados permite suspeitar de que o objetivo é evitar discussões sobre os reajustes. O que podemos afirmar com segurança é que não existe transparência.
Novas tarifas
A revisão ordinária não trouxe acréscimos por outros fatores contratuais, todos fixados em zero. Os demais pedidos da concessionária foram indeferidos.
Quem percorrer todo o eixo entre Goiânia (GO) e Itumbiara (GO), passando pelos oito pórticos, pagará R$60,20 por sentido. Antes, eram R$59,50.
Veículos pesados
Os demais veículos pagam a tarifa básica multiplicada pelo fator da categoria, que vai de 1,5 a 8. Um caminhão de seis eixos (categoria 8), por exemplo, paga de R$24,00 no P1 a R$72,60 no P4. Na categoria 10 (nove eixos), o valor máximo chega a R$96,80, também no P4. Motocicletas, ambulâncias, veículos oficiais e do Corpo Diplomático são isentos do pagamento.
Trechos sob responsabilidade da concessionária
A Rota Verde Goiás administra 426,2 quilômetros de rodovias federais que formam o eixo Goiânia–Rio Verde–Itumbiara, um dos principais corredores do agronegócio goiano:
- BR-060, de Goiânia a Rio Verde, com os pórticos P1 a P4. Passa por Abadia de Goiás, Indiara, Cezarina, Jandaia, Acreúna e Santo Antônio da Barra.
- BR-452, de Rio Verde a Itumbiara, até o entroncamento com a BR-153, com os pórticos P5 a P7. Passa por Santa Helena de Goiás, Goiatuba e Bom Jesus de Goiás.
A concessão foi arrematada em dezembro de 2024 pelo Consórcio Rota Verde, formado por Aviva e Tecpav, com desconto de 18,07% sobre a tarifa. O contrato tem prazo de 30 anos e prevê R$ 6,8 bilhões em investimentos e custos operacionais, dos quais R$ 4 bilhões em obras.
Entre as melhorias previstas, estão:
- 31,1 quilômetros de duplicação;
- 122,7 quilômetros de faixas adicionais;
- 28,9 quilômetros de vias marginais;
- 14 passarelas e 11 passagens de fauna;
- 1 Ponto de Parada e Descanso para caminhoneiros.
Como funciona a cobrança
A cobrança é feita pelo sistema free flow, sem cabines. Pórticos com câmeras e sensores identificam os veículos pela tag ou pela placa. Quem tem tag paga automaticamente, com desconto.
Quem não tem deve quitar a tarifa nos canais oficiais da concessionária no prazo de até 30 dias. Quem não paga pode ser autuado por evasão de pedágio: infração grave, com multa de R$195,23 e cinco pontos na CNH. A concessionária não envia links de pagamento por WhatsApp, SMS ou E-mail.















