VÍDEO: Perícia descarta problemas mecânicos no ônibus de acidente na AL-220 com 16 mortes
LAUDO: Perícia descarta problemas mecânicos no ônibus de acidente na AL-220 com 16 mortes. Foto: Reprodução/Redes Sociais

Delegado responsável, Diego Nunes, disse que o laudo pericial foi concluído; porém, investigação continua

Não foi problema mecânico. Com essa afirmação, o delegado Diego Nunes, responsável por apurar as causas do trágico sinistro (acidente) ocorrido na AL-220, em 3 de fevereiro deste ano, em São José da Tapera (AL), divulgou, nessa segunda-feira (9), informações sobre o laudo pericial.

Segundo Nunes, a Polícia Científica de Alagoas (PolC/AL) ainda está investigando e deverá concluir, em breve, as investigações. “Ao contrário das suspeitas iniciais de pane, os peritos confirmaram que o veículo estava em condições regulares de funcionamento“, disse.

Segundo o delegado, o documento, elaborado pelo Instituto de Criminalística de Arapiraca (ICA), descarta falhas mecânicas ou velocidade crítica como causas da tragédia na rodovia AL-220. Segundo a perícia coordenada pelo perito Gerard Deokaran, a perda do controle direcional foi o fator determinante para o veículo sair da pista e capotar no Povoado Caboclo, no Sertão alagoano.

Para chegar a essa conclusão, a equipe utilizou cálculos de física clássica e uma análise minuciosa do cronotacógrafo. O perito Gerard Deokaran explicou que, embora o motorista trafegasse a 100 km/h em um trecho de 90 km/h, essa velocidade não seria suficiente para tirar o veículo da pista por forças centrífugas.

Analisamos a cena antes da saída da curva, o raio da curvatura e todos os elementos que auxiliam na compreensão da dinâmica do acidente. Após investigações minuciosas, concluímos que o veículo não apresentava falhas, diagnóstico confirmado pela equipe de identificação veicular”, afirmou.

Análise do cronotacógrafo

De acordo com o delegado, um detalhe técnico exigiu atenção redobrada dos peritos: uma discrepância na escala do disco do tacógrafo.

VÍDEO: Perícia descarta problemas mecânicos no ônibus de acidente na AL-220 com 16 mortes
VELOCIDADE: Perícia chegou à conclusão de que o ônibus estaria a cerca de 100km/h. Foto: Divulgação/Polícia Científica/AL

Segundo levantamentos dos peritos Gerard Deokaran, Rafaela Jansons, Nina Collares, Israel Bezerra e Nivaldo Cantuária, feitos no local da tragédia, a hipótese de pane estrutural ou mecânica já havia sido preliminarmente afastada nos primeiros exames técnicos.

VÍDEO: Perícia descarta problemas mecânicos no ônibus de acidente na AL-220 com 16 mortes
CÁLCULO: Ilustrações usadas no laudo mostram a base de cálculo utilizada para a conclusão da velocidade. Fonte: Polícia Científica/AL

Ainda de acordo com o delegado, após a conversão correta dos dados com apoio da equipe de Maceió, a perícia estabeleceu que o limite físico para capotamento naquela curva seria de 138 km/h. Como o ônibus estava bem abaixo disso, a velocidade excessiva foi descartada como o gatilho principal da tragédia.

O ônibus trafegava a aproximadamente 100 km/h, velocidade acima do limite da via, que é de 90 km/h. no entanto, o veículo estava abaixo da velocidade crítica da curva. com base na física clássica e no cálculo de forças centrífugas relativas à estabilidade, constatamos que a velocidade limite para aquele trecho era de 138 km/h”, frisou Deokaran.

VÍDEO: Perícia descarta problemas mecânicos no ônibus de acidente na AL-220 com 16 mortes
APOIO: Ilustrações usadas no laudo foram úteis para a conclusão da velocidade do ônibus. Fonte: Polícia Científica/AL

Diante da ausência de defeitos no motor ou freios, a perícia foca no fator humano ou externo momentâneo. “Após o estudo da cena e dos equipamentos, concluímos que a causa mais provável do acidente foi a perda do controle direcional, o que resultou na instabilização do veículo e na derivação de sua trajetória original”, detalhou Deokaran.

VÍDEO: Perícia descarta problemas mecânicos no ônibus de acidente na AL-220 com 16 mortes
CAUSA PROVÁVEL: Ilustrações mostram a base de cálculo utilizada para a conclusão da velocidade do ônibus. Fonte: Polícia Científica/AL

Próxima etapa

Segundo Nunes, agora, com o laudo técnico em mãos, serão realizadas as novas oitivas de testemunhas. “O objetivo agora é confrontar os dados científicos com os relatos de quem sobreviveu ao sinistro”, explicou o delegado.

A Polícia Civil busca entender o que levou o condutor a perder o controle em um trecho que, tecnicamente, o veículo deveria ter vencido com segurança. A investigação permanece em andamento e poderá contar com a realização de outras diligências consideradas necessárias“, completou.

Viagem clandestina

Na ocasião do sinistro, o Estradas apurou que o veículo fazia viagem clandestina. de acordo com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT):

“A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informa que o veículo envolvido no acidente ocorrido nesta terça-feira (3), em São José da Tapera (AL), realizava transporte clandestino de passageiros.

O ônibus, de placa JJB3D75, não possui habilitação na ANTT. Não possui certificado de Segurança Veicular (CSV) ou seguro de responsabilidade civil vigente. Além disso, não havia Licença de Viagem (LV) referente ao deslocamento realizado.

A ANTT acompanha o caso junto aos órgãos competentes e segue com as ações de fiscalização para coibir o transporte clandestino no país.”

Irresponsabilidade

No dia seguinte ao sinistro, o prefeito Bueno Higino da Silva, disse à imprensa que hvia contratado 17 ônibus, e que tinha levado cerca de 800 pessoas na viagem, entre Coité do Nóia (AL) e Juazeiro do Norte (CE).

Como se tratava de viagem interestadual, ficou evidente que o prefeito não demonstrou preocupação em obter ou exigir a autorização para a viagem, bem como o seguro de responsabilidade civil e o CSV. Como eram 17 ônibus, havia indícios de que os demais também possam ter irregularidades e possivelmente contavam com a falta de fiscalização.

O trajeto de mais de 550 quilômetros deve ter causado fadiga no motorista. A saída de pista, seguida de capotamento é um indício. O trajeto mescla rodovias estaduais como federais.

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Além disso, o Estradas também apurou que veículo foi fabricado em 2001 e que está registrado em nome de uma pessoa física, cujas iniciais são: M. M. S. Entretanto, o portal encontrou em um rede social da Preto Tur, empresa que informa operar há mais de dez anos no setor e colocou uma nota de pesar aos passageiros e familiares. Nas mensagens dessa rede social chama atenção a chamada “Motivos para viajar conosco”: 1-Segurança 2-Responsabilidade 3-Conforto.

A investigação segue e o laudo final deve ser anunciado em breve, segundo o delegado Nunes.