
Usuários são multados por falta de informação suficiente
Falta de informações e de transparência são características que marcaram a chegada do pedágio free flow na pista expressa da Via Dutra (BR-116), no trecho entre São Paulo (SP) e Arujá (SP), inaugurado em 6 de dezembro do ano passado, pela concessionária RioSP, do grupo Motiva.
O assunto ganhou repercussão nacional – dada à importância da rodovia que é considerada uma das principais do Brasil, no trecho que liga a maior cidade da América Latina à capital fluminense, o portal Estradas vem tentou obter junto à concessionária detentora da concessão pública federal, informações detalhadas do novo sistema de pagamento de tarifas, tais como: local dos pórticos e valor da tarifa por quilômetro rodado, por categoria de veículo.
Entretanto, ao contrário do que previsto no contrato de concessão – afinal, a concessionária Motiva RioSP presta serviço público – as informações não chegaram ao conhecimento do Estradas, que não teve como informar os usuários da rodovia, que utilizam o portal para se manterem informados sobre o processo detalhado do novo sistema de cobrança de pedágio na rodovia federal.
Consequentemente, muitos usuários ainda, hoje, 11 de janeiro de 2026, estão sem saber como pagar e em que momento fazer essa operação, dada à falta de informação objetiva sobre o free flow. O Ministério Público Federal também solicitou a suspensão da cobrança, conforme matéria divulgada no portal em 12 de dezembro.
Na rodovia Rio-Santos a cobrança por meio do sistema do free flow seguiu o mesmo padrão, gerando revolta dos usuários e ações na justiça. Muitos tiveram a CNH suspensa pela soma de pontos em decorrência de não pagarem o pedágio, já que o sistema revelou ser confuso, mal sinalizado e sem alternativas para o pagamento em dinheiro (espécie).
Somente entre 2023 e 2024, foram aplicadas 800 mil multas por evasão de pedágio aos usuários da rodovia Rio-Santos (BR-101), no estado do Rio de Janeiro, que tem pórticos com o sistema free flow em Itaguaí, Mangaratiba e Paraty. A implantação do sistema não previu nenhuma alternativa de pagamento
Solicitações de informações sem retorno da Motiva
A primeira solicitação de informações detalhadas sobre o novo sistema à concessionária RioSP foi no dia 26 de novembro, data em que foi publicada a Deliberação 467/25, que autorizava o início de cobrança de tarifa por meio do sistema free flow.
Na ocasião, a empresa respondeu que tais informações podiam ser vistas no aplicativo da concessionária. Em uma segunda solicitação, no dia seguinte, a concessionária enviou uma imagem para tentar responder ao questionamento do portal Estradas. Entretanto, em nenhuma das situações, foi possível ter acesso às informações solicitadas.
Novamente, o Estradas solicitou as informações à concessionária, mas não as recebeu. Depois dessa terceira tentativa de obter tais informações, o portal recorreu à ANTT para tentar obtê-las, o que também não foi possível.
CCRRioSP não está preocupada com seus usuários
Na sexta-feira, 26 de dezembro de 2025, o Estradas publicou uma matéria na qual aborda a questão do mato tomando conta da Dutra (BR-116), em trecho sob a responsabilidade da RioSP, que revela descaso com o usuário e inércia da ANTT, que não pode alegar desconhecer o problema , já que veículos da Agências circulam regularmente na rodovia.
Nesta ocasião, a ANTT respondeu, prometendo verificar o que estava ocorrendo, embora alegasse que desconhecia descumprimento do contrato. A imagem do mato a beira da rodovia não podia ser ignorada pelos fiscais da ANTT. Mesmo assim a Agência afirmava desconhecer o problema.
Depois da matéria, nem a ANTT, responsável pela fiscalização, muito menos a concessionária, prestaram qualquer esclarecimento sobre as medidas tomadas.
Depois daquela matéria, várias pessoas entraram em contato confirmando o abandono da rodovia, não só com o mato crescendo na pista como também da precariedade da sinalização.
Somente na página do Facebook do Estradas foram mais de 100 comentários com críticas à concessionária. Veja alguns exemplos:
Adriano Mendez
Falta vontade, interesse ou tem coisas nesse meio? ANTT não esta fiscalizando ou está e a concessionária tá praticando leniência deliberada? As vezes é preciso esmiuçar vespeiros ora se saber quem está ganhando com isso.
José Roberto Medeiros
Se quem concedeu não toma providências para punir por que a concessionária deveria se preocupar?
Avilson da Cruz
Leo Nardo
Agora colocar free flows na Dutra a concessionária fez que é uma beleza! E ainda fecharam o acesso à Dutra pra quem sai do Rodoanel em Guarulhos sentido SP, jogam todos os carros pra pista local pra lá na frente pegar a via rápida, é impressionante o planejamento de merda que essa gente faz! Nem dá pra dizer que tem gente no meio disso que ainda diz que estudou.
Rosangela Souza
Tá na hora do órgão concessionário rever o contrato e aplicar multas pesadas obrigando a empresa a fazer todo o serviço necessário. Onde está agora a estas alturas quem deveria fiscalizar?
A Rio-Santos também está assim.




