Dono de ambulância do acidente com 5 mortos na BR-040/MG é indiciado por homicídio
DESLEIXO: Dono de ambulância do acidente com 5 mortos na BR-040/MG é indiciado por homicídio. Veículos não tinham manutenção regular. Foto: Divulgação/PRF

Laudo da perícia apontou que colisão, em dezembro passado, foi causada pela perda da direção e más condições do veículo

O proprietário da empresa Guardiões Resgate, responsável pela ambulância envolvida no grave sinistro (acidente) que matou cinco pessoas no km 736 da BR-040, em Santos Dumont (MG), em dezembro do ano passado, foi indiciado por homicídio culposo (quando não há intenção de matar).

De acordo com a Polícia Civil, o proprietário foi negligente, pois deixou de licenciar o veículo e não fazia a manutenção regular nos veículos da empresa.

Ainda de acordo com o laudo pericial, o veículo, da marca Renault, estava com os pneus ‘carecas’; a manutenção do veículo era feita em local não apropriado; o proprietário dirigia a ambulância sem ter autorização para isso; e a empresa não tinha um responsável técnico.

Além disso, a Guardiões Resgate deveria apresentar as ambulâncias para a fiscalização da Prefeitura de Juiz de Fora (MG), mensalmente, o que não era feito. Após o sinistro, o contrato entre a Prefeitura e a empresa foi rompido.

Segundo a Polícia Civil, o laudo apontou que a colisão ocorreu porque o condutor perdeu controle da direção do veículo, em tempo chuvoso, devido à condição da ambulância.

Dono de ambulância do acidente com 5 mortos na BR-040/MG é indiciado por homicídio
PERDA DE CONTROLE: Perícia apurou que motorista perdeu o controle da ambulância, que acabou colidindo com a carreta Scania, deixando cinco mortos. Foto: Rodrigo Soares/TV Integração

Empresa foi interditada

Em fevereiro deste ano, um relatório da Polícia Civil mostrou que a Guardiões Resgate havia sido interditada por não ter um responsável técnico. Os documentos das inspeções continham dados sobre outras irregularidades, que levaram à interdição, pouco mais de um mês depois do sinistro.

Problemas constatados na sede da Guardiões Resgate:

  • deficientes condições de organização e higiene dos ambientes;
  • uso de saneantes domésticos para desinfecção de materiais;
  • falta de controle de temperatura no almoxarifado da empresa;
  • armazenamento inadequado de roupas de cama e uniformes;
  • falta de capacitação da equipe;
  • ausência de registros de manutenção dos equipamentos e de identificação de motoristas profissionais que atuaram em ocorrências atendidas.

No dia da ocorrência, a ambulância fazia o transporte de Maiara de Freitas Cunha, de 27 anos, grávida de 32 semanas, que voltava de uma consulta em Belo Horizonte (MG). Ela e o marido, Marcelo Conceição do Santos, de 39 anos, chegaram a ser socorridos e levados para o Hospital de Santos Dumont, mas não resistiram aos ferimentos.

Leonardo Luiz Neves da Silva, motorista da ambulância, a enfermeira Alessandra Chagas Motta e a médica Daniela Moraes Miranda Reis, morreram na hora.

Dono de ambulância do acidente com 5 mortos na BR-040/MG é indiciado por homicídio
DESCUIDO: Dono de ambulância não fazia manutenção regular nem licenciava os veículos. Foto: Divulgação/PRF

Estradas alerta autoridades há anos

Essa situação constatada pela PRF a respeito do mau estado de conservação da ambulância envolvida no trágico sinistro com cinco mortes vem sendo alertada pelo Estradas há anos.

Em outubro último, no dia 10, data em que se comemora o Dia Nacional do Condutor de Ambulância em todo o País, o Estradas fez matéria de denúncia de vários casos registrados em estradas brasileiras.

A constatação é de quem está na profissão há quase 10 anos, o potiguar Fernando Carvalho, condutor de ambulância há 9 anos e 8 meses, em Coronel João Pessoa (RN), no sudoeste do Rio Grande do Norte, distante 442 quilômetros da capital Natal.

O sinistro

Na tarde do dia 21 de dezembro de 2023, no km 736 da BR-040, em Santos Dumont (MG), foi registrado um sinistro entre uma ambulância e uma carreta Scania, resultando em cinco mortes, entre elas, uma grávida, de acordo com o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG).

Na ocasião, conforme os bombeiros, uma médica, o motorista e uma enfermeira morreram na hora; uma mulher, grávida de 7 meses, e o marido dela ficaram gravemente feridos e foram socorridos com vida, mas não resistiram aos ferimentos, morrendo durante atendimento inicial no Hospital Misericórdia de Santos Dumont (MG). O feto também não resistiu.