A paralisação nacional dos caminhoneiros anunciada para esta quinta-feira (4) fracassou, conforme o Estradas.com.br antecipou ontem na matéria Paralisação dos caminhoneiros é fake news para beneficiar “escravocratas do transporte”.
O movimento, supostamente liderado por Francisco Dalmora Burgardt, conhecido como Chicão Caminhoneiro, da União Brasileira dos Caminhoneiros (UBC), contava com o apoio jurídico do desembargador Sebastião Coelho. Ambos chegaram a protocolar na Presidência da República um comunicado sobre a paralisação.
O resultado nas rodovias, porém, é desmoralizante: não há qualquer sinal de mobilização, e nas mídias sociais diversos caminhoneiros já afirmavam que não adeririam ao movimento. Alguns disseram que não aceitariam mais ser tratados como “boi de piranha”.
Enquanto isso, vários veículos de comunicação continuaram a anunciar uma possível paralisação, evidenciando a falta de sintonia de parte da imprensa com a realidade das estradas. Até o perfil de quem é Chicão, o “líder dos caminhoneiros” foi divulgado na grande imprensa.
Nesta manhã, o Estradas.com.br confirmou novamente que não há indícios de paralisação em nenhuma região do país, conforme já havia sido adiantado ontem.
Nas redes sociais, entretanto, Coelho ganhou visibilidade e provavelmente novos seguidores — o que pode beneficiá-lo politicamente, caso deseje disputar algum cargo público, estratégia já utilizada por outros supostos líderes de caminhoneiros.
Já Chicão, da UBC, acabou prejudicando a própria categoria, pois movimentos fracassados, com pautas vagas e sem apoio real, enfraquecem futuras iniciativas legítimas em defesa dos caminhoneiros. Até o site da entidade está totalmente desatualizado, demonstrando a falta de qualquer organização.
O deputado federal Zé Trovão, por sua vez, convocou em 22 de novembro — após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro — uma paralisação geral em seu Instagram, afirmando ao final do vídeo: “Caminhoneiros, agronegócio, motoboys, precisamos nos unir. Prestem atenção: ou é agora ou nunca mais.” Curiosamente, na véspera da paralisação anunciada por Chicão e Coelho, ele declarou ser contra o movimento e os classificou como oportunistas.
Na última paralisação estimulada por Zé Trovão, contra o STF — especialmente o ministro Alexandre de Moraes —, o deputado fugiu para o México e a mobilização também fracassou, embora ele relate nos vídeos como se tivesse ocorrido um grande movimento.
O próprio Bolsonaro e o então ministro Tarcísio “pediram” para que não houvesse paralisação. Na prática o movimento já dava sinais de fracasso e não contava sequer com apoio das entidades de transportes.
O que fica evidente, pelas manifestações de caminhoneiros de verdade, é que a grande maioria não apoia essas lideranças improvisadas e não aceita mais ser usada por oportunistas, antigos ou novos, não importa a posição política. Conforme um caminhoneiro enfatizou: “Minhas contas não tem partido político. Todas vencem e tenho que pagar, não importa quem foi meu candidato.”





