Pausas e descanso reforçam a segurança em viagens longas
FIQUE ATENTO: Pausas e descanso reforçam a segurança em viagens longas. Foto: Divulgação/Sinaceg

Mesmo com jornada em dia, fadiga pode surgir durante o percurso; reconhecer os sinais do corpo e interromper a direção reduz riscos na estrada

Mesmo após cumprir a jornada e os períodos de descanso, motoristas podem sentir fadiga, sonolência e perda de concentração durante viagens longas. Diante desses sinais, interromper o percurso é uma medida de segurança, ainda que isso represente atraso na entrega.

Para o Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg), entidade patronal que representa mais de 5 mil profissionais especializados no transporte de veículos zero-quilômetro em todo o país, o cumprimento de prazos não deve se sobrepor às condições necessárias para uma direção segura.

A carga tem prazo e o profissional tem compromisso, mas nenhuma dessas obrigações pode estar acima da vida. Se o sono apareceu, é preciso parar. É melhor explicar um atraso e chegar ao destino com segurança do que insistir quando o corpo já mostra que precisa descansar”, afirma José Ronaldo Marques da Silva, o Boizinho, presidente do Sinaceg.

A preocupação com a fadiga antecede a legislação que regulamentou o descanso dos caminhoneiros. Há anos, entidades da categoria apoiam iniciativas de empresas de logística para reduzir acidentes, como o Projeto Vida, que adotou medidas voltadas ao controle do tempo de direção e à redução da velocidade.

O respeito à jornada, porém, não elimina completamente o risco. Mesmo depois de dormir o suficiente, o motorista pode apresentar indisposição ou sonolência. Estresse acumulado, qualidade do sono e condições de saúde também podem afetar a atenção e os reflexos.

Medidas usadas para tentar espantar o sono, como lavar o rosto, abrir a janela ou recorrer a substâncias para permanecer acordado, não substituem o repouso.

Não adianta molhar o rosto ou abrir a janela. Você continuará sendo um motorista com sono, só que com o rosto molhado. Não existe plano B. Se a sonolência persistir, a recomendação é parar em local seguro e dormir”, afirma Jaime Ferreira dos Santos, presidente da Federação Interestadual dos Cegonheiros (Feiceg).

Uma pausa pode ajudar quando o desgaste é momentâneo. Se a sonolência continuar, a orientação é não retomar a direção. Para Jaime, um dos maiores riscos está justamente na tentativa de prolongar o percurso quando o organismo já dá sinais de exaustão.

Pausas e descanso reforçam a segurança em viagens longas
CANSAÇO: Pausas e descanso reforçam a segurança em viagens longas. Foto: Reprodução/Magnific.com

Existe uma armadilha muito comum na estrada, que é pensar: ‘vou só mais um pouquinho’. Esse pouco pode ser justamente o trecho em que o motorista perde a capacidade de reagir. É sempre melhor atrasar e chegar do que não chegar”, diz.

Episódios recorrentes de fadiga também exigem atenção. Se o problema persistir mesmo após períodos adequados de repouso, a recomendação é buscar avaliação médica.

O caminhão precisa de manutenção para continuar rodando com segurança. O motorista também. Quando o corpo começa a dar sinais recorrentes de exaustão, é preciso investigar. Sono não se vence pela força de vontade”, afirma Jaime.

Pausas, descanso e atenção aos sinais do organismo fazem parte da direção responsável. Em uma atividade marcada por prazos e longas distâncias, reconhecer a hora de parar é também uma forma de garantir a segurança de quem dirige e de todos que circulam pela rodovia.

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