
Mesmo com cobrança de pedágio há mais de 30 anos, a Dutra (BR-116) vive situação crítica nos últimos 4 meses. A concessionária RioSP, do grupo Motiva, e a ANTT confirmaram os problemas, após matéria publicada pelo Estradas, em dezembro do ano passado, com denúncias de usuários e admitiram 1 ponto crítico a cada 160 metros
Depois de inúmeras críticas sobre a péssima manutenção da Via Dutra (BR-116), no trecho entre São Paulo e Rio de Janeiro, a concessionária resolveu agir. O portal Estradas publicou matéria em dezembro passado na qual mostrava as péssimas condições de conservação da estrada, no trecho paulista. Na ocasião, o portal recebeu vídeos e fotos que mostravam mato alto, buracos e sinalização precária em vários pontos.
Agora, nas últimas semanas, a concessionária RioSP, responsável pela via, informou que está realizando serviços de recuperação em toda a rodovia. Esses serviços nada mais são do que a confissão das falhas da Concessionária RioSP na manutenção e da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) – responsável pela concessão e fiscalização da via; com destaque para a falta de conservação e manutenção da rodovia mais importante do país.

Ao serem questionadas pelo Estradas, ambas assumiram que foram catalogados mais de 2.600 pontos críticos em praticamente toda a extensão da Via Dutra (BR-116). Os serviços de recuperação informados pela RioSP são na realidade um reparo pela falta de manutenção. Os 2.600 pontos críticos, em 356 quilômetros administrados pela concessionária do trecho da Dutra(BR-116), significa 1 ponto crítico a cada 160 metros.

Prefeito postou vídeo com as crateras na véspera dos reparos
Na semana passada, no dia 27 de fevereiro, o prefeito de Porto Real (RJ), Alexandre Serfiotis utilizou uma de suas redes sociais para denunciar, in loco, as más condições da rodovia, no trecho que corta o município. Ele chamou a atenção, inclusive, para os riscos dirigindo, à noite e nos dias de chuva, em função dos enormes buracos na pista.
Para o coordenador do SOS Estradas, Rodolfo Rizzotto, é inacreditável que uma concessionária remunerada com pedágio não dê manutenção adequada à rodovia.
Segundo ele, a rodovia foi abandonada em vários trechos, colocando em risco a vida dos usuários, causando prejuízos a muitos deles. “Eles [concessionária] agora estão anunciando como trabalhos emergenciais, depois que o volume de reclamações cresceu muito, e a indignação das pessoas aumentou, a RioSP resolveu tomar providências. Portanto, não é obra – benefício para a rodovia – é apenas recuperar àquilo que deveria ter mantido com dinheiro do pedágio. Ao mesmo tempo a ANTT revelou que não fiscaliza como deveria. Afinal, é 1 ponto crítico a cada 160 metros. Deveriam entrar para o Guiness. Frequento a rodovia há mais de 50 anos e raras vezes encontrei situação tão precária“, pontuou.
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Novamente, em contato com a Motiva RioSP e com a ANTT, o Estradas recebeu os seguintes esclarecimentos:
Nota da ANTT
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informa que o ponto mencionado no vídeo, na Via Dutra (BR-116), nas proximidades de Porto Real, já foi corrigido pela concessionária responsável. O buraco citado foi reparado e, no momento, não há registro de ocorrência ativa no trecho indicado.
A Agência esclarece que a concessionária concluiu, em fevereiro, uma etapa emergencial que resultou no atendimento de mais de 2.600 pontos críticos ao longo da rodovia. Em março, foi iniciada a fase estrutural definitiva de recuperação do pavimento, com previsão inicial de até 90 dias para execução, abrangendo 195 km de faixas de rolamento nos trechos do Rio de Janeiro e de São Paulo.
A manutenção das condições adequadas de segurança e trafegabilidade é obrigação contratual, fiscalizada permanentemente pela ANTT, nos termos do Programa de Exploração da Rodovia (PER).
A Agência segue acompanhando a execução dos serviços para assegurar o cumprimento integral das obrigações contratuais e a segurança dos usuários. Por fim, a ANTT reitera que, no momento, não existe qualquer irregularidade no trecho.
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Posição da Concessionária RioSP
“A RioSP, uma empresa Motiva, iniciou hoje a fase definitiva das obras de recuperação do pavimento da Via Dutra. A nova etapa acontece após a conclusão dos trabalhos emergenciais, iniciados em 10 de fevereiro e encerrados no dia 24 do mesmo mês, que resultaram na atuação em mais de 2.600 pontos críticos ao longo da rodovia.
Agora, os serviços avançam para a execução estrutural do pavimento. A previsão inicial é de 90 dias, podendo haver prorrogação caso as condições climáticas afetem o andamento das equipes.
Os trabalhos irão contemplar os trechos mais críticos mapeados pela área de Obras da concessionária. No total, serão 195 km de faixas de rolamento recuperados, sendo 43 km no trecho do Rio de Janeiro e 152 km no trecho de São Paulo.”
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