Enquanto o Estado contribuiu para os acidentes as vítimas ajudam a salvar vidas

O coordenador do SOS Estradas, Rodolfo Rizzotto, entrevistou Daniel Gedder, um dos fundadores do movimento Somos Todos Vítimas da BR-265/MG. Em 2015, ele e um amigo sofreram um acidente nesta rodovia e o rapaz faleceu.

Daniel começou, a partir desse episódio, um movimento cujo foco era evitar que as pessoas passassem pelo mesmo sofrimento que sua família e a do amigo vivenciaram na ocasião.

Ao longo dos anos, outras pessoas se juntaram ao movimento, que hoje reúne mais de 3.000 pessoas em grupos no WhatsApp, onde alertam sobre problemas e riscos na estrada.

A iniciativa envolve 13 municípios, mas nasceu na pequena Itutinga (MG), cidade de origem de Daniel, que tem apenas três mil habitantes.

Sem finalidade política e com foco em salvar vidas

As vítimas de trânsito muitas vezes assumem o papel do Estado. O movimento “Somos Todos Vítimas da BR-265/MG” é fruto dessa reação para o bem, sem objetivos políticos e com foco na redução de acidentes.

Daniel Gedder, é pesquisador da USP de Ribeirão Preto (SP), onde faz seu curso de pós-doutorado. Já estudou na Alemanha e nos EUA. Além da vida acadêmica desse jovem brasileiro que acredita na transformação do país pela Educação, Daniel e seus amigos realizam campanhas educativas, cobram soluções das autoridades, ajudam no atendimento às vítimas e ainda fazem “vaquinhas” para sinalizar a rodovia.

Mortes aumentaram após desligamento dos radares

No dia seguinte a essa entrevista, dois acidentes deixaram mais cinco mortes no trecho. Sendo que, num deles, morreram quatro jovens.

TRAGÉDIA: Quatro jovens morrem em acidente na BR-265, em Barroso (MG), na sexta (15). Foto: Corpo de Bombeiros

Daniel alerta que a situação está muito mais grave porque as pessoas não respeitam o limite de velocidade e os radares foram retirados do trecho, em particular próximo à ponte onde estão ocorrendo vários dos acidentes fatais nas últimas semanas.

Na entrevista, ele informa que o Dnit justificou que precisava registrar um determinado número de mortos no trecho para justificar a volta dos radares. Ao que parece, o Órgão já terá “mortos suficientes”.

O empenho de Daniel e seus colegas, além da colaboração da população com informações disseminadas pelo WhatsApp, estão salvando vidas, mas está na hora das autoridades agirem e assumirem sua responsabilidade.

O SOS Estradas e o portal Estradas entendem que a voz com maior legitimidade é justamente das vítimas e das pessoas comuns que circulam no trecho e que só têm um objetivo com o movimento: SALVAR VIDAS.

Por isso, recomendamos assistir a íntegra da entrevista no nosso Canal no Youtube. Você vai se surpreender com a generosidade das pessoas envolvidas nessa missão extraordinária. Conheça mais do movimento no: https://www.facebook.com/somostodosvitimasdabr265

Posição do SOS Estradas

Recentemente, o coordenador do SOS Estradas, Rodolfo Rizzotto, alertou sobre a absurda Resolução 798/20 do Contran.  No comentário no canal do Youtube do SOS Estradas, Rizzotto abordou vários absurdos da mencionada decisão do órgão mais importante do trânsito brasileiro.

“Estamos na contramão do bom senso e da segurança viária. A Resolução obriga as autoridades a informarem onde vão estar localizados todos os radares, inclusive os portáteis, usados pelos policiais para surpreender potenciais assassinos do trânsito. Com isso, menos de 5%, por exemplo, das rodovias federais têm fiscalização de velocidade, seja fixa ou portátil, porque é necessário realizar estudo até para os portáteis”, enfatiza.

No caso da BR-265, em MG, não há registro de nenhum tipo de fiscalização de velocidade. Ao menos não aparecem indicados nem no site da PRF nem do DNIT. Isso reforça a tese das vítimas que comandam o movimento da BR-265/MG de que o desligamento dos radares, acompanhado da falta de fiscalização de velocidade, contribuíram para as mortes recentes.

A Resolução 798 é assassina e precisa ser revogada, afirma Rizzotto. “Não é mera coincidência que ela entrou em vigor no dia 1º de novembro, véspera do Dia de Finados”, reforça.

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