A licitação do projeto executivo para construção da Alça Sul do Rodoanel Metropolitano de Belo Horizonte, entre Betim, Ibirité e Nova Lima, na Grande BH, foi lançado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

As propostas para a obra, que tem como objetivo desviar da região urbana o tráfego pesado que segue pelas rodovias BR-040, BR-262, BR-356 e BR-381, devem ser entregues até 9 de agosto. O custo estimado para o projeto é de mais de R$ 10 milhões e a empreiteira ou consórcio que vencer a concorrência terá 630 dias para apresentar o estudo concluído, norteando a implantação do complexo viário de 35,8 quilômetros orçado em R$ 500 milhões.

Com a visita da presidente Dilma Rousseff (PT) a Belo Horizonte, no último dia 12, o projeto do anel viário metropolitano foi desengavetado, juntamente com a ampliação do Anel Rodoviário, que será delegado ao estado. No caso do Rodoanel, o traçado foi dividido em três alças que farão o contorno da capital mineira passando por dez municípios. A parte sul é de responsabilidade do Dnit, a norte cabe ao governo do estado e a leste à Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), as duas últimas com recursos federais. A Alça Sul tem como principal trajeto a ligação da BR-381 (Fernão Dias) à BR-040 (BH-RJ).

Para o consultor em assuntos urbanos e presidente do Conselho de Política Urbana da Associação Comercial de Minas Gerais, José Aparecido Ribeiro, o maior benefício dessa alça será retirar o tráfego pesado de vias que não o comportam dentro da cidade. “Principalmente do Anel Rodoviário e da Cidade Industrial, que é um gargalo. Aliviar a 381 e 040 é extremamente positivo para a segurança das vias urbanas e também vai encurtar as distâncias para os caminhões e carretas que não desejam passar em Belo Horizonte, mas precisam fazê-lo”, afirma. O consultor alerta que não basta apenas finalizar o trecho sul. “É uma obra que só funcionará se for completada. É importantíssima para o Brasil, pois tudo que vem do Nordeste para Sul e Centro-Oeste passa aqui e vice-versa. As estradas de Minas têm cumprido o papel de interligar o país”, avalia.

O Dnit não informou se os trechos vão ser conservados e administrados pela iniciativa privada, contando com praças de pedágios como ocorre com o trecho norte do Rodoanel de São Paulo. Na capital paulista foi preciso proibir o tráfego de caminhões e carretas em algumas vias, como a marginal Pinheiros e a Avenida dos Bandeirantes, para que os caminhoneiros passassem a usar apenas o Rodoanel. “Para que os caminhões façam o contorno pela via metropolitana será preciso fiscalizar. Naturalmente uma medida dessas só trará segurança com a participação das polícias rodoviárias”, salienta Ribeiro.

Enquanto o Dnit estima que o Rodoanel Metropolitano chegue a remover até 30% do tráfego diário de 120 mil veículos que trafegam no Anel Rodoviário, especialistas em projetos que participaram dos primeiros levantamentos calculam um percentual bem menor. De acordo com o engenheiro Everaldo Cabral, que trabalhou no início do projeto, apenas 15% do tráfego pesado que passa pelo Anel Rodoviário não pertence ao eixo Belo Horizonte-Contagem, ou seja, continuará a usar a via.

Traçado

Na licitação do Dnit para a Alça Sul, publicada no sábado no Diário Oficial da União, se desenha finalmente o traçado entre as BRs 381 (BH-SP), 262 (Betim-Triângulo Mineiro), 040 (BH-RJ) e 356 (BH-Ouro Preto), uma das mais importantes e movimentadas do complexo viário. O departamento subdividiu em dois segmentos, sendo o primeiro entre as BRs 381 e 262, em Betim, até um acesso a ser criado para a cidade de Ibirité. A via vai cortar vários bairros de Betim: Vista Alegre, Granjas das Candeias e Estâncias do Sereno, ao sul, e Petrovale, até atingir a MG-040, perto da Fazenda do Rosário ao norte. Passagens de nível e acessos serão construídos como opções ao bairro betinense PTB, à Fiat e à estrada do Contorno da Petrobrás. Na MG-040 os trilhos de uma ferrovia serão transpostos.

A via segue no sentido Ibirité contornando a área urbanizada a oeste da cidade. Parte do projeto depende ainda de acertos para preservação da fauna e da flora, descrito na parte que versa sobre um acesso a Ibirité que vai passar pelo Parque do Rola Moça.

O segundo segmento se inicia no acesso de Ibirité à BR-040, próximo ao Km-554, nos arredores do posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Nova Lima. Para sua realização será necessário construir uma outra ponte com corredor ecológico sobre o Rio Taboão. O traçado contorna o Bairro Jardim Canadá a oeste, permitindo acessibilidade por meio de passagem superior à via de acesso ao Retiro das Pedras, em Nova Lima. A conexão com a BR-040 se dará por vias marginais em nível. A reportagem procurou o Dnit para que a autarquia federal detalhasse a expectativa de execução dessa obra, que é aguardada pelos mineiros desde 2001. No entanto, o departamento não respondeu.

Entenda o caso

2001: O ainda chamado Rodoanel Mineiro começou a ser projetado pelo Dnit. Era orçado em R$ 783,4 milhões e tinha previsão de conclusão para 2008
2007: Sem nada sair do papel, o Ministério dos Transportes informou que havia assegurado os recursos para o Rodoanel. A verba seria parte dos R$ 2,05 bilhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mas também não progrediu.
2012: A presidente Dilma Rousseff vem a Belo Horizonte e assina um termo de compromisso que garante a elaboração do projeto de revitalização do Anel Rodoviário, a construção do Rodoanel Metropolitano e a duplicação da BR-381 entre Belo Horizonte e Governador Valadares. Além da Alça Norte, o projeto também prevê 35 quilômetros entre Betim, Contagem, Ribeirão das Neves, Pedro Leopoldo, São José da Lapa, Vespasiano, Santa Luzia e Sabará.

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