De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), as principais causas de acidentes são: a falta de atenção à condução, responsável por 1.844 mortes, em 2017; o excesso de velocidade, que matou 1.007 pessoas; e dirigir embriagado, que vitimizou 455 pessoas nas estradas brasileiras, no mesmo período. Foto: Divulgação

De acordo com a Seguradora Líder, a “direção agressiva” da maioria dos motoristas é um dos principais fatores para a ocorrência dos acidentes graves

Os dados do Relatório Anual 2017 da Seguradora Líder são claros: mais de 380 mil indenizações do Seguro DPVAT, sendo a maioria delas por invalidez permanente (74% do total); 11% por morte; e 15% para cobertura de despesas médico-hospitalares foram pagas por conta de acidentes de trânsito desencadeados por causa de imprudência e desrespeito às leis de trânsito.

Segundo o superintendente de Operações da empresa, Arthur Froes, a observação desse comportamento é visível, principalmente, quando se trata de motociclistas. “Os condutores de motocicletas são responsáveis por 74% das indenizações do DPVAT, embora a frota de motos represente 27% do total”, observa Froes.

Froes acredita que haja diferenças regionais, como no Sudeste, onde o excesso de velocidade predomina; e no Nordeste, a falta de equipamentos de segurança é a principal causa de mortes. Froes acrescenta que em ambas as regiões a imprudência é comum.

IRRESPONSABILIDADE: Segundo o superintendente de Operações da Seguradora Líder, Arthur Froes, os condutores de motocicletas são responsáveis por 74% das indenizações do DPVAT, embora a frota de motos represente 27% do total”. Foto: Divulgação

‘Direção agressiva’

O comportamento potencialmente perigoso no trânsito não é exclusividade brasileira. Trafegar em velocidade superior à permitida, dirigir sob efeito de álcool e/ou drogas e conduzir veículos por pista incorreta ocupam, respectivamente, os três primeiros lugares de um ranking de 14 condutas de “direção agressiva”, mapeadas e apontadas como as principais causas de acidentes de trânsito ocorridos em rodovias dos Estados Unidos, país popularmente conhecido como a “pátria do automóvel”, com frota de mais de 280 milhões de veículos.

Os dados, de 2016, constam de estudo da National Highway Traficc Safety Administration (NHTSA), apresentado em janeiro passado pelo Insurance Information Institute – uma entidade especializada em estudos econômicos de seguros. O levantamento utiliza o conceito de “direção agressiva” para classificar o comportamento de motoristas que cometem uma ou mais infrações capazes de colocar em risco a vida de outras pessoas ou propriedades.

Tomando por base o mesmo conceito, por analogia, a “direção agressiva” também responde pelo maior número de acidentes registrados nas estradas brasileiras. Em 2017, segundo balanço da Polícia Rodoviária Federal, ocorreram 89.318 acidentes em rodovias federais, que resultaram na morte de 6.244 pessoas e 83.978 feridos.

Na classificação da Polícia Rodoviária Federal (PRF), em primeiro lugar nas causas de acidentes nas rodovias federais está a falta de atenção à condução, responsável por 1.844 mortes, em 2017; a velocidade incompatível ocupa o segundo lugar entre as principais causas de acidentes fatais: foram 1.007 mortes; em terceira posição, a ingestão de álcool aparece como causadora de 455 mortes nas estradas brasileiras, no mesmo período. Ainda de acordo com o balanço de 2017, das 5,8 milhões de autuações registradas pela PRF no período, 2,3 milhões foram por excesso de velocidade em até 20%.

Nos EUA, conforme apontam informações da NHTSA, a velocidade foi um fator que contribuiu para 27% de todos os acidentes fatais em rodovias americanas, em 2016; e 10.111 vidas foram perdidas em acidentes relacionados à velocidade.

EXCESSO DE VELOCIDADE: O excesso de velocidade não acontece apenas nas estradas. Segundo da Fundación Mapfre, (de 2018) um em cada dez motoristas de São Paulo dirige acima da velocidade permitida em vias urbanas. Foto: Divulgação

Vias urbanas 

O excesso de velocidade não é característica apenas dos motoristas que trafegam em estradas. De acordo com o estudo “Velocidade X Usuários Vulneráveis”, realizado em outubro de 2018 pela Fundación Mapfre, 1 em cada 10 motoristas de São Paulo, a maior capital do País, dirige acima da velocidade permitida em vias urbanas.

A conclusão resulta de 3.796 medições feitas em 13 localidades, que apontaram uma relação diretamente proporcional entre a velocidade excessiva e a ocorrência de acidentes. A análise da pesquisa indica que o aumento da velocidade em centros urbanos eleva exponencialmente o risco de acidentes.

Tomando como base a velocidade de 60 km/h, o simples aumento para 70 km/h faz crescer o risco em 40%; a 80 km/h, as chances dobram; a 90 km/h, aumenta para 200%; e, a 100 km/h, a probabilidade multiplicada por cinco.

“A velocidade excessiva está diretamente ligada ao aumento de impactos mais severos em caso de colisão e, geralmente, a partir de uma velocidade de colisão de 30 km/h, há um aumento vertiginoso no risco de morte, principalmente com os usuários vulneráveis (pedestres e ciclistas) que não têm proteção”, comenta Jesús Monclús, diretor da área de Prevenção e Segurança Viária da Fundación MAPFRE.

Celular ao volante

No contexto da direção agressiva, o condutor que usa o celular ao volante nos EUA está classificado pela NHTSA dentro da categoria “distraído”, o que, na classificação, a Polícia Rodoviária Federal poderia ser enquadrado, por aproximação, como “falta de atenção à condução”, primeira causa de acidentes fatais nas estradas.

Uma pesquisa, feita com 12 mil moradores do estado da Virgínia (EUA), pelo Insurance Institute for Highway Safety (IIHS), órgão americano de segurança viária ligado às seguradoras, mostrou que o uso do telefone celular ao volante diminuiu de 11,2%, em 2014, para 9,67%, em 2018.

No entanto, o percentual de motoristas que admitiu usar aplicativos de celular ao dirigir subiu de 2,3% para 3,4%, entre 2014 e 2018, uma conduta potencialmente mais perigosa. Ainda de acordo com o levantamento – veiculado no blog Jornal do Carro, no portal do jornal O Estado de S. Paulo – fumar, se alimentar ou usar sistemas multimídia dos carros foram outros comportamentos perigosos que tiveram crescimento no intervalo da pesquisa, subindo 14%.

CONDUTA PERIGOSA: motoristas que admitiram usar telefone celular ao dirigir subiu de 2,3% para 3,4%, entre 2014 e 2018, o que é potencialmente mais perigoso. Foto: Divulgação/TV Globo

Fontes: Insurance Information Institute; National Highway Traficc Safety Administration (NHTSA); Polícia Rodoviária Federal (balanço PRF 2017); Relatório Anual 2017 Seguradora Líder (jan/dez 2017); Assessoria de imprensa da Fundación Mapfre (CDN); Insurance Institute for Highway Safety (IIHS), via blog Jornal do Carro, (O Estado de S. Paulo).

Confira abaixo os ranking da NHTSA: Comportamentos de Condução Relatados para Motoristas e Operadores de Motocicleta Envolvidos em Acidentes Fatais, 2016

Comportamentos de Condução Relatados para Motoristas e Operadores de Motocicleta Envolvidos em Acidentes Fatais, 2016
​​​​Comportamento Número %
Dirigir muito rápido para condições ou excesso de limite ou corrida 9,234 17,8%
Sob a influência de álcool, drogas ou medicação 5,592 10,8
Falha em manter a pista correta 3.890 7,5
Distraído (telefone, conversando, comendo, objeto, etc.) 3,210 6,2
Operando o veículo de maneira descuidada ​2,696 5,2
Falha em obedecer a sinais de trânsito, sinais ou oficial 2,064 ​4,0
Operando o veículo de maneira errática, imprudente ou negligente 2,002 3,9
Sobrecorrente (amperagem acima da especificada) / sobrerrotação do motor 1,967 3,8
Visão obscurecida (chuva, neve, brilho, luzes, construções, árvores, etc.) 1,566 3,0
Sonolento, adormecido, fatigado, doente ou desmaiado 1,310 2,5
Desviar ou evitar devido ao vento, superfície escorregadia, etc. 1,307 2,5
Conduzir de forma errada no trânsito de sentido único ou no lado errado da estrada 1,307 2,5
Fazendo turno inadequado 348 0,7
Outros fatores 6,130 11,8
Nenhum relatado 15,970 30,8
Desconhecido 8,479 16,3
Total de condutores (1) 51,914 100,0%

(1) A soma das porcentagens é maior que 100%, já que mais de um fator pode estar presente como causador de acidentes Fonte: Departamento de Transportes dos EUA, National Highway Traffic Safety Administration.

Fonte: Estradas com Seguradora Líder

1 COMENTÁRIO

  1. Fiz uma viagem de Brasília ao Rio de Janeiro(ida e volta) recentemente e constatei o péssimo estado da rodovia BR 040(Rodovia Juscelino Kubistchek). De Goiás a Minas Gerais paguei 11 pedágios. A concessionária 040 que administra esta rodovia precisa melhorar as condições do asfalto(muitos buracos). Em alguns trechos em aclive há necessidade de construção de uma terceira faixa de rolamento(faixa adicional).

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