Promotores alegam que dez estruturas têm risco de colapso e deveriam ser alvo de intervenção imediata. Já a prefeitura aguarda relatórios técnicos finais e usa laudos preliminares para manter as vias liberadas. O perito e o valor a ser pago também serão definidos pela Justiça. Foto: Divulgação

Perícias realizadas pela prefeitura em pontes e viadutos de São Paulo vão depender da aprovação da Justiça; decisão vem após um impasse entre a administração municipal e o Ministério Público

Uma vistoria visual realizada pela prefeitura deu nota de um a dez pontes a viadutos de São Paulo. A menor nota é dada quando a estrutura corre risco de colapso. Só que as vias não foram interditadas, já que empresas contratadas pela administração municipal para avaliar os locais não indicaram essa necessidade. O prazo para a conclusão dos relatórios técnicos está no fim.

O Ministério Público entrou com uma ação pedindo a restrição de tráfego em 16 pontos e viadutos. A alegação é de que a prefeitura não está cumprindo as normas técnicas. O presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil em São Paulo, Fernando Tulio, explica a questão.

“Que sejam feitas intervenções imediatas em outras pontes, além daquelas que já sofreram intervenção por parte da prefeitura, antes mesmo dos resultados da inspeção especial serem apresentados. As pontes apresentaram, na análise visual, o índice mais baixo. Isso representa um risco de colapso”, disse.

A prefeitura recorreu alegando a necessidade de uma vistoria técnica e teve uma decisão favorável. No entanto, os promotores dizem que a prefeitura usou laudos preliminares, e não conclusivos, já que as vistorias ainda estavam sendo finalizadas. Esses documentos descartavam a necessidade de interdição.

O engenheiro Sergio Ejzenberg, mestre em transportes pela Escola Politécnica da USP, diz que a prefeitura perde dinheiro não fazendo logo as intervenções. Um estudo da FGV aponta que São Paulo perde R$ 40 bilhões por ano com congestionamentos. Se alguma ponte tiver problemas e houver um bloqueio total, como no caso do viaduto da Marginal Pinheiros, o prejuízo pode ser maior.

“A interdição afetou até o Rodoanel. Macro e micro rotas foram afetadas. No mês de janeiro, nós tivemos um aumento geral de mortes de 53%. A única razão para isso é que aquele fluxo de 100 mil veículos, ao ser desviado, atropelou pedestres em outros lugares”
O Ministério Público ouviu sete engenheiros que fizeram as avaliações. Todos confirmaram que os laudos eram preliminares e disseram conhecer a norma técnica.

Uma das estruturas com nota um é a Ponte da Casa Verde. Em fevereiro, dois caminhões bateram contra a base da ponte. A via ficou parcialmente interditada e a prefeitura contratou a empresa Engeti para analisar a segurança. Nos depoimentos, os engenheiros disseram que não sabem porque as contratações foram emergenciais. Agora, o perito e o valor a ser pago terão de ser definidos pela Justiça.

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