CORRIA DEMAIS: A passageira Janete (sobrenome não informado), que estava no ônibus da empresa Expresso Itamarati, envolvido na batida contra uma carreta carregada com soja na BR-163, na terça-feira (17), relatou que o motorista do ônibus, Edmilson Pereira, estava cansado, estressado e corria muito quando colidiu Foto: Reprodução

“Tudo isso por conta desse ônibus, que estragou e ainda veio o motorista que já estava a noite toda, cansado. Ele corria muito, muito…”

A passageira Janete (sobrenome não informado), que estava no ônibus da empresa Expresso Itamarati, envolvido na batida contra uma carreta carregada com soja na BR-163, na terça-feira (17), relatou que o motorista do ônibus, Edmilson Pereira, estava cansado, estressado e corria muito quando colidiu. As declarações foram dadas durante uma entrevista à imprensa de Sinop (MT), enquanto estava hospitalizada.

A passageira relata momentos que ocorreram antes, durante e depois do acidente. No ônibus havia, 45 passageiros, além do motorista. A colisão deixou oito mortos e 39 feridos, quatro deles continuam internados no Hospital Regional de Sinop. O motorista do ônibus teve um braço decepado durante a batida. Ele sofreu traumatismo craniano, passou por uma cirurgia e está internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) também em Sinop.

“Tudo isso por conta desse ônibus, que estragou, e ainda veio o motorista que já estava a noite toda, cansado. Ele corria muito, muito, todo mundo dizia vai devagar, nós já estamos quase chegando. A gente já tinha saído de sorriso”, conta.

Janete fala dos momentos de terror que viveu. Ela conta que saiu de Cuiabá na noite de segunda-feira (16) e que o ônibus quebrou por volta das 2h da manhã, próximo a Lucas do Rio Verde (336 km ao norte de Cuiabá).

“Muito triste, recordo pouco. Eu estava nas últimas, cansada, porque desde as 2 horas da madrugada o ônibus parou, porque a mangueira que leva água para o radiador estava quebrada. Demorou muito tempo e a gente lá, naquele ônibus, naquele sufoco. Aí, passou um ônibus da empresa Verde Transporte, eles disseram que tinha espaço, mas não sabiam se caberiam todos, mas coube. O motorista disse que íamos até a rodoviária de Lucas e que, depois, um ônibus da Itamarati viria para levar os passageiros até Sinop”, descreve a passageira.

Após chegar à rodovia de Lucas, todos os passageiros aguardavam ansiosos para seguir vigem. Segundo ela, todos estavam cansados e cobravam uma resposta da empresa. Após muitas reivindicações dos passageiros com Expresso Itamarati, buscando resposta para chegar até Sinop, o ônibus que havia quebrado na estrada chegou na rodoviária, sendo conduzido pelo mesmo motorista.

“Estávamos lá na rodoviária, todos já saturados da espera, perto do guichê de passagens, aí veio o gerente e nos disse que só iam pegar a gente às 11h30. Nesse horário, veio (sic) dois ônibus, um normal, que ia levar os outros passageiros para Sinop. E ficamos lá brigando, a professora (Sidinei Cardoso) que morreu no acidente falou ‘esse ônibus não vai sair daqui enquanto não levar a gente. De repente, veio nosso ônibus, o mesmo motorista, cansado, estressado. Aí, ele deixou a gente entrar. A professora sentou no primeiro banco, eu ia sentar atrás dela, mas uma senhora falou que todo mundo tinha que sentar na poltrona que veio marcada na passagem, e eu sentei na minha poltrona, a 39. Essa senhora também morreu”, lembra.

A passageira conta que estavam todos muitos cansados, que não se lembra no momento da colisão, só que o motorista freou o veículo bruscamente.

“Eu só vi quando eu já estava caída. O ônibus freou e eu caí, machuquei minha coluna. Minha filha estava dormindo, ela dorme bem encolhida, só levantou, graças a Deus, não aconteceu nada com ela, nem com as crianças. Viajávamos com oito crianças, uma delas era de colo”, conta.

Janete relata ainda que conhecia muitos dos passageiros que viajam no ônibus. Ela conta que ouviu o papiloscopista Clayton Aparecido da Silva, de 37 anos, que também morreu no acidente, falar ao telefone várias vezes.

“Eu ouvi ele o tempo todo falando no telefone, preocupado, porque saiu para trabalhar e ia chegar atrasado. Era seu primeiro dia de trabalho. A professora também estava com preocupação, ela dizia assim, ‘eu não vou chegar a tempo de ir trabalhar”, lembra.

Após a colisão, Janete conta que foi um desespero e não havia ambulância para socorrer todos os feridos.

“Minha coluna doía demais. Não tinha carro de socorro para todo mundo. Eu vim para o hospital com um casal em uma caminhonete que parou lá para ajudar no resgate das vítimas”, finaliza.

O acidente

A colisão aconteceu por volta das 12h no entroncamento de acesso à cidade de Vera, a cerca de 75 km de Sinop. A carreta atingiu a lateral do ônibus, destruindo parte do veículo e atingindo os passageiros. No impacto, a carreta que estava carregada com soja tombou na pista e a carga se espalhou na rodovia.

As análises preliminares da Perícia Oficial de Identificação Técnica (Politec) apontam que o ônibus invadiu a faixa contraria da via, o que pode ter ocasionado a colisão. Além disso, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) avalia a jornada excessiva de trabalho do motorista, que pode ter o levado a cochilar ao volante.

No entanto, a empresa Expresso Itamarati alegou que o motorista não tenha excedido a jornada de trabalho. Segundo a empresa, Edmilson dormiu por mais de 4 horas enquanto aguardava auxilio mecânico na estrada, depois de o veículo ter quebrado e, por isso, estaria descansado.

A empresa ainda informou que o tacógrafo, aparelho usado em veículos para monitorar tempo de uso, distância percorrida e velocidade, do ônibus vai provar que as declarações da PRF, de que o motorista estaria em jornada excessiva, não tem fundamento.

Veja vídeo no link abaixo:

https://www.hnt.com.br/cidades/passageira-do-onibus-relata-que-motorista-estava-cansado-e-corriamuito-veja-video/279702

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