Ao revogar a chamada Lei do Descanso e sancionar a nova lei dos transportes rodoviários, chamada de Lei dos Caminhoneiros,  a Presidente Dilma Roussef assumiu uma responsabilidade que poderá sangrar os cofres públicos em R$ 23 bilhões e gerar gastos mensais de R$ 180 milhões. A conclusão é do Coordenador do SOS Estradas, Rodolfo Rizzotto que fez um estudo sobre os pontos de parada existentes no país.

“O custo de um estacionamento pavimentado com 80 mil m², cercado e iluminado e capacidade para 200 caminhões, é de pelos menos R$ 12 milhões, sem contar o terreno. Além disso é necessário oferecer pelos menos 20 unidades de banheiro e chuveiro, o que implica, considerando o custo com estação de tratamento de água e esgoto, de pelo menos R$ 1 milhão por estacionamento.  Isso ainda gera despesa em torno de R$ 30 mil por mês na manutenção. Soma-se a isso os gastos com  iluminação, cerca e segurança, em torno de R$80 mil por mês, temos mais de R$ 100 mil mensal por estacionamento de custo fixo.” explica Rizzotto.

Na opinião de Rizzotto, o Governo não tem a menor ideia do tamanho do problema que assumiu. “A conta é simples, o Governo fala em estacionamentos a cada 200 km para atender os caminhoneiros. Isto significa dois estacionamentos, um em cada lado da pista, com 400 vagas gratuitas disponíveis em 400 km de rodovia, que não é suficiente para a demanda. São 180 mil quilômetros do que podemos chamar rodovias pavimentadas no país, isto implica construir pelos menos 1.800 estacionamentos a custo médio de R$ 13 milhões, portanto estamos falando de algo em torno de R$ 23 bilhões. Dos quais R$ 8 bilhões são obrigação do Governo Federal o resto terá que se negociado com os Estados, para que assumam esse custo nas rodovias estaduais. Além disso, são mais R$ 180 milhões mensais para manter essa infra-estrutura. Quem vai pagar essa conta?”

Na avaliação do especialista, os embarcadores, as transportadoras e os sindicatos de autônomos, foram muito hábeis em jogar essa responsabilidade para o Estado. “Os sindicatos estão muito interessados em receber os estacionamentos prontos do Governo e assumir a administração mas querem cobrar pelo serviço  do próprio Governo. Isso explica inclusive o empenho em evitar que os postos de rodovia, que já operam estacionamentos e tem know how na estrada, participem da reuniões. Além disso, muitas transportadoras e embarcadoras tem tanques de combustível instalados nas suas propriedades e abastecem a frota prórpria e muitas vezes de terceiros, gerando até um ganho extra, em muitos casos com direito a sonegação de impostos. Essas empresas não querem abastecer nos postos para ter estacionamento gratuito como contrapartida. Enfim, jogaram os custos para o Governo que aceitou tudo sem pensar nas consequências.”

De fato, o Estradas.com.br apurou que durante a realização do evento para debater a a regulamentação da Lei dos Caminhoneiros, na segunda-feira dia 09, foram criados três grupos de trabalho e o Governo , pressionado pelos sindicatos de caminhoneiros, principalmente o Presidente do Sindicato dos Cegonheiros de Minas Gerais, Carlo Roesel, conhecido como Zoio, não inclui os postos nas discussões. Assessores dos deputados da chamada “Bancada da Morte”, que defende o interesse do agronegócio, embarcadores em geral e grandes transportadoras também fizeram pressão para evitar a participação do setor de combustível.O fato chamou atenção dos representantes dos postos que devem manifestar sua indignação formalmente nesta semana através de sua entidade.

“O Governo precisa convocar quem entende do assunto para participar das discussões, afinal, são os postos de rodovia que operam e mantém a rede de paradas existente no país. Depois pode até não concordar com as propostas do setor de postos, mas ao excluí-los das discussões desde o início dá margem a interpretações de que outros interesses , que não o interesse público, estariam em ação. Sinceramente, acho que o Governo já tem muitos problemas de credibilidade para assumir mais esse.”, reforça Rizzotto.

Quanto a construção de estacionamentos nas rodovias concedidas, o próprio Governo já assumiu que a sua viabilização será via aumento do pedágio, o que pode gerar ainda mais descontentamento na sociedade.

Por fim Rizzotto indica auma alternativa que pode ajudar o Governo. “É preciso que todo caminhoneiro tenha uma diária média mínima equivalente a 30 litros de diesel, ou seja, em torno de R$ 90,00. Com esse dinheiro ele pode pagar pelo café da manhã, almoço, lanche, jantar, banho e estacionamento fechado. Dessa forma quem tiver interesse em operar esses estacionamentos terá condições de manter o serviço e estímulo para investir. E o Governo não precisará assumir mais esse problema. Os próprios sindicatos podem buscar parceiros na iniciativa privada, mas o que não pode é o Governo investir nesses estacionamentos com tanta obras importantes que deveriam ser realizadas e ainda pagar pela manutenção mensal.”, finaliza.

DEIXE UMA RESPOSTA

Você digitou um endereço de e-mail incorreto!
Por favor, digite seu nome aqui