OS PRIMEIROS: Estudo mostra que os motociclistas estão entre os primeiros quando o assunto é estatística de sinistros no trânsito. Foto: Aderlei de Souza

Levantamento com dados do seguro DPVAT de 2020 aponta ainda que quase 50% dos acidentados têm entre 18 anos e 34 anos

De acordo com um relatório da Seguradora Líder, três a cada quatro sinistros (acidentes) de trânsito no Estado de São Paulo em 2020 envolveram motocicletas. O levantamento foi feito a partir de dados do pagamento do Seguro DPVAT.

De acordo com o estudo, em São Paulo, 38.081 indenizações foram pagas por sinistros de trânsito. Destas, 28.340 foram com motos, 7.242 com automóveis, 1.598 com caminhões ou pick-ups, 859 com ônibus e 42 com ciclomotores. Do total de indenizações no Estado, 4.972 foram por mortes, 23.330 por invalidez e 9.779 por despesas médicas.

Outro dado apontado pela pesquisa foi a faixa etária dos sinistrados. Mais da metade deles envolveram jovens em idade economicamente ativa: 8.512 (22,4%) tinham entre 18 e 24 anos e 10.379 (27,3%) tinha entre 25 e 34.

Gilberto Almeida, presidente do Sindimoto (Sindicato dos Mensageiros Motociclistas, Ciclistas e Mototaxista Intermunicipal do Estado de São Paulo), lamenta os números e a alta quantidade de vítimas entre os motociclistas.

“Pra nós, motociclistas, existe uma segunda epidemia. Há a pandemia do coranavírus, mas outra epidemia de acidentes de trânsito. Só na capital (São Paulo) são muitas mortes. Ano após ano as pessoas perdem suas vidas, sem falar nas internações graves de pessoas mutiladas e com sequelas”, comenta Almeida.

O número de sinistros em 2020 pode estar relacionado à categoria dos motofretistas, pois no ano passado, com o início da pandemia do coronavírus e as taxas de desemprego em alta, a quantidade de trabalhadores sobre duas rodas quase dobrou em São Paulo. Como agravante àqueles que atuam para aplicativos, os valores recebidos pelas corridas diminuíram e a carga horária aumentou.

Por estimativa do SindimotoSP, em março, antes do início da pandemia, eram cerca de 280 mil profissionais da categoria no Estado. Em apenas três meses o número subiu para aproximadamente 500 mil. O órgão considera que o aumento se deu pela perda de empregos em outros setores provocada pelo avanço do coronavírus.

Segundo denúncias de motoboys de todo o país, os primeiros meses de pandemia foram marcados pela precarização: houve baixas nas taxas por quilômetro percorrido e do valor mínimo por corrida, portanto o aumento da carga horária diária para se obter as mesmas quantias. Os profissionais ainda relataram sofrer com a falta de equipamento de proteção contra a covid e com bloqueios sem justificativas por parte dos aplicativos. As demandas motivaram, inclusive, protestos em várias capitais brasileiras desde julho.

“Atribuímos os altos números de siistros em grande parte à exploração equivocada das empresas de aplicativo em relação aos trabalhadores. E é uma atividade de risco que não pode ser explorada do jeito que está sendo”, considera Almeida, presidente do SindimotoSP.

Minoria na frota do país, maioria dos acidentes

Considerando toda a frota de motoristas que solicitaram e obtiveram indenizações em 2020 no Brasil, somente 29% eram motociclistas, indicou o estudo anual da Líder. Embora componham menos de um terço nos números, foram maioria entre os sinistrados também em âmbito nacional: 79%.

Das indenizações pagas aos motociclistas no Brasil, 17.412 (7%) foram para mortes, 175.371 (71%) para invalidez permanente e 52.768 (22%) para despesas médicas, chegando às 245.551 indenizações concedidas para motociclistas.

Do total de 310.701 sinistros, os outros 21% se dividem entre automóveis (47.522), caminhões (12.039), ônibus (4.126) e ciclomotores (1.472).

Infosiga indica aumento nos acidentes em SP

Dados do Infosiga, plataforma do Governo de São Paulo, apontam para um aumento no número de sinistros e de mortes de motofretistas entre janeiro e setembro de 2019 e os mesmos meses de 2020.

Entre 2019 e 2020, os sinistros com vítimas não fatais aumentaram no Estado e na capital paulista, respectivamente, 44% e 23%. Também houve acréscimo em relação às mortes: de 48% em âmbito estadual e 52% na capital.

Com informações do Portal R7

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