
Levantamento da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) mostra que a fadiga e a sonolência estão associadas a cerca de 60% dos sinistros de trânsito
Não é raro ver na imprensa brasileira notícias de sinistros (acidentes) no trânsito envolvendo motoristas que cochilam ao volante. O resultado quase sempre é trágico com perdas de vidas humanas e também feridos graves, alguns deles com sequelas permanentes.
Neste período de férias, quando é registrado um aumento significativo do volume de tráfego nas estradas, A incidência de sinistros tende a aumentar. Pensando nisso, a concessionária EPR Litoral Pioneiro faz um alerta importante aos usuários de suas rodovias, no Estado do Paraná, sobre os riscos provocados pelo cansaço e pela sonolência ao volante.
De acordo com uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), a fadiga e a sonolência estão associadas a cerca de 60% dos sinistros (acidentes) automobilísticos, alterando, por exemplo, o tempo de reação a estímulos visuais.
Segundo a Abramet, a fadiga está entre os principais fatores associados a ocorrências graves nas estradas, especialmente em trajetos longos e em deslocamentos realizados durante a madrugada.
Nessas situações, a redução da atenção e dos reflexos pode comprometer a capacidade de reação do motorista diante de imprevistos. Além disso, o cansaço prejudica severamente a percepção de profundidade, a avaliação de riscos e a coordenação motora fina do condutor.
Microssono
Ainda de acordo com a Associação, outro perigo é o chamado microssono, episódio em que o motorista adormece involuntariamente por alguns segundos sem perceber. Dependendo da velocidade do veículo, esse intervalo pode ser suficiente para percorrer centenas de metros sem controle efetivo da direção.
No trecho administrado pela concessionária, os usuários contam com 12 bases do Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU), que oferecem estrutura de apoio para pausas seguras ao longo da viagem, afinal, o descanso também faz parte do planejamento da viagem, e é uma das medidas mais importantes para a prevenção de acidentes.
Esse apoio é essencial para que os caminhoneiros, que costumam trafegar no período noturno, tenham uma pausa – àquela à qual está prevista na Lei do Descanso – em seus deslocamentos. O recém-inaugurado Ponto de Parada e Descanso (PPD) no km 209 da PR-092, em Arapoti (PR), é uma das opções. Nele, o profissional encontra refeitório, bebedouros, sanitários, vestiários e conexão à internet em todo o pátio, de cerca de 400 m².
O corpo costuma dar sinais antes do limite
Especialistas alertam que o organismo costuma emitir sinais claros de que o motorista precisa interromper o deslocamento e descansar. Entre os sintomas mais comuns estão bocejos frequentes, dificuldade para manter os olhos abertos, sensação de peso nas pálpebras, perda de concentração e dificuldade para recordar os últimos quilômetros percorridos. Ignorar esses sinais pode aumentar significativamente o risco de acidentes.
A diretriz médica explica que a sonolência é regulada por mecanismos biológicos rígidos, o que desmistifica a ideia de que o motorista pode controlar o sono apenas com “força de vontade”. O pico de acidentes causados por fadiga coincide diretamente com as quedas do ritmo circadiano do organismo humano — ocorrendo com maior frequência na madrugada (entre 2h e 6h) e no início da tarde (entre 14h e 16h). É nesse intervalo que o cérebro reduz naturalmente o estado de alerta, tornando as viagens longas sem pausas ainda mais críticas.
Outro ponto de atenção diz respeito à diferença entre o cansaço físico e a sonolência propriamente dita. Enquanto o cansaço pode ser aliviado momentaneamente mudando de posição ou esticando as pernas, a sonolência é uma necessidade fisiológica de sono acumulada. Quando o condutor começa a manifestar lapsos de memória de curto prazo, como não lembrar do último pedágio ou curva percorrida, o cérebro já está operando em um estágio crítico de fadiga, antecedendo episódios de microssono.
Ignorar os sinais aumenta o risco de sinistros
É essencial que o motorista identifique esses sinais e realize uma pausa antes de seguir viagem até o destino final. Profissionais de saúde do setor viário alertam que insistir na direção quando o corpo já demonstra sinais de fadiga pode comprometer a segurança do motorista, dos passageiros e dos demais usuários da rodovia.
A recomendação é que os condutores façam pausas regulares ao longo da viagem, mantenham uma rotina adequada de sono e evitem iniciar deslocamentos longos após jornadas intensas de trabalho. O planejamento da viagem, a hidratação e a alimentação leve também contribuem para uma condução mais segura.
Preservar vidas é o principal compromisso da concessionária. Além dos investimentos em infraestrutura, tecnologia e atendimento aos usuários, a concessionária desenvolve ações permanentes de conscientização voltadas à adoção de comportamentos seguros nas rodovias.
Motorista da Cometa admitiu ter cochilado

Por incrível que pereça, o ato de cochilar ao volante não é exclusividade de condutores de automóveis. Em setembro do ano passado, um acidente com um ônibus da Viação Cometa na BR-040, em Juiz de Fora (MG), ganhou repercussão nacional porque o motorista da empresa admitiu ter cochilado ao volante e, com isso, provocou um choque contra outro coletivo, que estava parado em um ponto de ônibus desembarcando um passageiro. Na ocasião, com o impacto, quatro pessoas, entre elas, uma criança morreram e outras 16 pessoas feridas.
Por conta disso, o motorista, de 51 anos, foi indiciado por homicídio culposo – quando não há intenção de matar – após o laudo da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG). Segundo o delegado Daniel Buchmüller, que foi o responsável pelas investigações, o motorista dormiu enquanto dirigia. “Na cabine do ônibus, há uma câmera de frente para o rosto do motorista. Do lado direito, há outra voltada para a rodovia, que filma a parte frontal do veículo. Ao analisar essas imagens, não restou dúvida sobre a responsabilidade do motorista, pois ele adormeceu. Ele estava vindo em linha reta e girou o volante para o lado direito, causando a colisão. É nítido a luta dele contra o sono, e que o acidente ocorreu em um lapso em que o investigado dorme ao volante”, esclareceu.
Esse é apenas um dentre dezenas de ocorrências dessa natureza, envolvendo motoristas profissionais, a maioria com fadiga, decorrente do excesso de jornada. O portal Estradas tem divulgado, há anos, campanhas de segurança viária que alertam os motoristas sobre os cuidados que devem ter durante duas viagens.
Dicas para quem vai enfrentar uma jornada longa:
- Durma bem antes de viajar: garanta ao menos oito horas de sono antes de iniciar a viagem;
- Faça pausas periódicas: a recomendação médica padrão é descansar 20 minutos a cada duas horas de viagem ou a cada 150 quilômetros percorridos;
- Evite dirigir à noite;
- Evite o mito das janelas abertas: não confie em estratégias paliativas como abrir as janelas, ligar o ar-condicionado no máximo ou ouvir música alta. Essas ações oferecem apenas uma falsa sensação de alerta que dura poucos minutos, mascarando o perigo real;
- Atenção à alimentação: evite refeições pesadas antes de dirigir e mantenha-se hidratado;
- Não tente “lutar contra o sono”: ao primeiro sinal de fadiga ou sonolência, procure um local seguro, como as bases do SAU, para descansar;
- Não beba álcool nem use drogas ou medicamentos que afetem os sentidos;
- Reveze a direção: sempre que possível, compartilhe a condução do veículo em viagens longas.
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